Mecanismos de Controle dos Livros Escolares no Brasil do Século XIX

Autores/as

DOI:

10.37618/PARADIGMA.1011-2251.2026.e2026012.id1744

Palabras clave:

Educação no Império, Livros Escolares, Ordem e Civilização, Legislação educacional.

Resumen

Contexto: Afim de compreender a ação pedagógica e o currículo escolar do século XIX brasileiro é preciso considerar os mecanismos de controle e circulação dos livros didáticos e de leituras. Reconhecendo o perigo eminente da difusão desenfreada destes materiais, as autoridades passaram a incorporar á legislação educacional uma série de regulamentações sobre o uso de livros escolares. Objetivo: O objetivo central deste texto é evidenciar os mecanismos de controle e critérios de utilização definidos pelo Estado para o uso dos livros didáticos e de leitura nas escolas primárias. Justificativa: No decorrer do século XIX, as autoridades começaram a perceber que a escola poderia abrir portas para a entreda de materiais didáticos e de leitural, oferecendo perigo à ordem estabelecida, uma vez que, muitos difundiam ideias liberais, anárquicas e até revolucionárias. Metodologia: Análise de natureza crítico-interpretativa e comparada entre as regulamentações produzidos pela Corte e pelas províncias do Rio de Janeiro, Mato Grosso e Paraná. Fontes: Regulamentosm leis, decretos, contratos, relatórios de presidentes de províncias, de inspetores de instrução pública, de comissões de inspeção e estudos de caráter bibliográfico. Problematizações: A partir da análise desse conjunto de fontes, levantamos os seguintes questionamos: é possível captar valores, preconceitos, práticas sociais e anseios presentes na sociedade de um determinado período pela análise da legislação educacional? É possível apreender o movimento histórico de uma determinada sociedade considerando o expresso nos textos legais? Resultados: Analisamos a legislação como um movimento histórico, buscando explicitar as características da sociedade que a produziu e o seu valor como fonte/local da memória educacional. Interpretamos a legislação como mediação e sínteses de múltiplas determinações, ou seja, como resultado dos embates entre as forças em disputa. As açõs do Estado para controlar o uso dos materiais didáticos permeavam a relação entre sociedade, estado e educação dentro da lógica de construção da ordem, centralização e hierarquização da sociedade imperial. Considerações Finais: O professor, como elemento difuso ou mais distante, deveria ser um agente a serviço do projeto do grupo dominante, não representando ameaça de nenhuma natureza à ordem estabelecida. Podemos concluir que o controle dos livros didáticos e de leitura, contribuiu para cimentar valores entre as classes sociais por meio da relação direta entre professor, o uso dos materiais didáticos e os vínculos estabelecidos com os alunos e a comunidade em que as escolas estavam inseridas.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

André Paulo Castanha, Universidade Estadual do Oeste do Paraná

Doutor em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Pôs-Doutor em Filosofia e História da Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor no Colegiado de Pedagogia e do Mestrado em Educação na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), campus de Francisco Beltrão, Paraná, Brasil. Membro do Grupo História Sociedade e Educação da Região Oeste do Paraná (HISTEDOPR) GT do HISTEDBR.

Citas

BARBOSA, E. B. L. (2017). “Inspecionar, instruir e dirigir”: a configuração da inspeção da instrução pública na província do Paraná (1854-1889). Revista Linhas. Florianópolis, v. 18, n. 36, p. 152-177, jan./abr.

BITTENCOURT, C. M. F. Livro Didático e Conhecimento Histórico: uma história do saber escolar. (Tese). Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências humanas da Universidade de São Paulo. São Paulo: USP, 1993. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-28062019-175122/publico/1993_CirceMariaFernandesBiiencourt.pdf Acesso em 28 de fevereiro de 2025.

BOTO, C. (2018). A civilização escolar pelos compêndios didáticos de formação de professores. Educar em Revista, Curitiba, Brasil, v. 34, n. 70, p. 155-178, jul./ago.

Autor 1. (2007).

Autor 1. (2013).

Autor 1. (2019).

CASTRO, C. A. (2017). Controlar e disciplinar a vida escolar: a ação da inspetoria da instrução pública no Maranhão (1844-1889). Revista Linhas. Florianópolis, v. 18, n. 36, p. 96-120, jan./abr.

COMENIUS, J. A. (2002). Didática Magna. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes.

GASPARELLO, A. M. (2004). Construtores de Identidade: a pedagogia da nação nos livros didáticos da escola secundária brasileira. São Paulo: Iglu Editora.

GONDRA, J. G.; TEIXEIRA, G. B. (2004). “Lições que falavam à alma”. In: Nossa História, ano 1 n. 8, jun/2004. Rio de Janeiro/São Paulo: Biblioteca Nacional/Editora Vera Cruz, p. 84-6.

LEMOS, D. C. de A. Tensões e disputas: os professores e os livros escolares no século XIX. e-hum, [S.l.], v. 3, n. 2, p. 15-28, dez. 2010. ISSN 1984-767X. Disponível em: <https://unibh.emnuvens.com.br/dchla/article/view/422>. Acesso em: 03 mar. 2025.

MATTOS, S. R. (2000). O Brasil em Lições: a história como disciplina escolar em Joaquim Manuel de Macedo. Rio de Janeiro: Access Editora.

MIGUEL, M. E. B. (Org). (2000). Coletânea da documentação educacional paranaense no período de 1854 a 1889. Campinas: Autores Associados.

MIGUEL, M. E. B; MARTIN, S. D. (Org). (2004). Coletânea da documentação educacional paranaense no período de 1854 a 1889. In: Coleção documentos da educação brasileira. Barsília/São Paulo: INEP/SBHE. CD-ROM.

MUNICÍPIO DA CORTE. (1857). Inspetoria Geral de Instrução Primária e Secundária. Relatório do Inspetor Geral Eusébio de Queirós Coutinho Mattoso Câmara, de 21 de abril de 1857. Apresentado ao Ministério dos Negócios do Império e publicado como anexo K do Relatório do Ministro dos Negócios do Império, Luiz Pedreira do Coutto Ferraz, apresentado à Assembleia Geral Legislativa, em 3 de maio de 1857. Rio de Janeiro: Tipografia Universal de Laemmert.

MUNICÍPIO da Corte. (1874). “Escolas Públicas da Corte do Império no ano de 1873”. Relatório apresentado pela comissão ao Inspetor Geral de Instrução Primária e Secundária, em abril de 1874. Publicado como anexo B-7 do Relatório do Ministro dos Negócios do Império, João Alfredo Correia de Oliveira de 12 de maio de 1874. Rio de Janeiro: Tipografia Nacional.

MUNICÍPIO DA CORTE. (1878). Inspetoria Geral de Instrução Primária e Secundária. Relatório do Inspetor Geral José Bento da Cunha Figueiredo, de dezembro de 1878. Apresentado ao Ministério dos Negócios do Império e publicado como anexo C-2 do Relatório do Ministro dos Negócios do Império, Carlos Leôncio de Carvalho, apresentado à Assembleia Geral Legislativa, em 23 de dezembro de 1878. Rio de Janeiro: Tipografia Nacional.

MUNICÍPIO DA CORTE. (1884). Inspetoria Geral de Instrução Primária e Secundária. Relatório do Inspetor Geral Antonio Herculano de Souza Bandeira Filho, de 15 de fevereiro de 1884. Publicado como anexo C-7 do Relatório do Ministro dos Negócios do Império, Francisco Antunes Maciel de 3 de maio de 1884. Rio de Janeiro: Tipografia Nacional.

PROVÍNCIA do Rio de Janeiro. (1844). Relatório do presidente João Caldas Vianna apresentado a Assembleia Legislativa Provincial em 1º de março. [S. l.: s. n.].

PROVÍNCIA do Rio de Janeiro. (1851). “Regulamento da Instrução Primária e Secundária na Província do Rio de Janeiro de 14 de dezembro de 1849”. In: Legislação Provincial do Rio de Janeiro de 1835 a 1850. Niterói: Tipografia Fluminense, p. 581-614.

PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO. (1868). “Regulamento da Instrução Primária e Secundária de 24 de dezembro de 1859”. In: Coleção de Leis, Decretos e Regulamentos da Província do Rio de Janeiro de 1859. Rio de Janeiro: Tipografia Nacional, p. 299-322.

PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO. (1973). “Regulamento da Instrução Primária e Secundária de 30 de abril de 1862”. In: Coleção de Leis, Decretos e Regulamentos da Província do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Tipografia Cosmopolita, p. 43-73.

PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO. (1877). “Regulamento da Instrução Pública de 16 de dezembro de 1876”. In: Coleção de Leis, Decretos, Atos e Decisões do Governo da Província do Rio de Janeiro de 1876. Rio de Janeiro: Imperial Instituto Artístico, p. 277-339.

PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO. (1877). Contrato entre o Conselheiro Diretor da Instrução e o Dr. Joaquim Manuel de Macedo, de 16 de dezembro de 1876. Publicado com Anexo S-7 da Exposição que fez o presidente Francisco Xavier Pinto Lima, na passagem da administração provincial ao 3º vice-presidente Francisco Antonio de Souza, em 3 de janeiro de 1877. Rio de Janeiro: Tipografia Montenegro.

PROVÍNCIA DO RIO DE JANEIRO. (1880). Contrato com o Dr. Jerônimo Sodré Pereira, de 5 de dezembro de 1879. Publicado como anexo S6-1 do relatório do presidente João Marcelino de Souza Gonzaga, apresentado a Assembleia Legislativa Provincial, em 8 de setembro de 1880. Rio de Janeiro: Tipografia Montenegro.

PROVÍNCIA do Paraná. (1856). Relatório do vice-presidente Henrique de Beaurepaire Rohan, apresentado a Assembleia Legislativa Provincial na abertura dos trabalhos, em 1º de março de 1856. Curitiba: Tipografia Paranaense.

SÁ, N. P.; SIQUEIRA, E. M. (Org). (2000). Leis e regulamentos da instrução pública do Império em Mato Grosso. Campinas: Autores Associados.

SOUZA, A. A. A. (2010). Manuais didáticos: formas históricas e alternativas de superação. In: BRITO, Silvia Helena Andrade de [et al.] (org). A organização do trabalho didático na história da educação. Campinas: Autores Associados, p. 121-146.

XAVIER, A. P. S. (2007). A leitura e a escrita na cultura escolar de Mato Grosso 1837-1889. Cuiabá-MT: Entrelinhas; EdUFMT.

Publicado

05-01-2026

Métricas


Visualizações do artigo: 487     PDF (Português (Brasil)) downloads: 304

Cómo citar

Castanha, A. P. (2026). Mecanismos de Controle dos Livros Escolares no Brasil do Século XIX. PARADIGMA, 47(1), e2026012. https://doi.org/10.37618/PARADIGMA.1011-2251.2026.e2026012.id1744

Número

Sección

Artículos

Deprecated: json_decode(): Passing null to parameter #1 ($json) of type string is deprecated in /home1/revis019/public_html/plugins/generic/citations/CitationsPlugin.inc.php on line 49