O Ensino Médio Integrado em Administração do Colégio Estadual de Itapuranga: uma perspectiva da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) empresarial
DOI:
10.37618/PARADIGMA.1011-2251.2026.e2026025.id1802Keywords:
EMI, Cultura Tecnológica, Hegemonia Empresarial, Formação Docente, RegressoAbstract
No contexto atual o Ensino Médio Integrado (EMI) tem ocupado lugar central nas disputas em torno das concepções de formação na Educação Profissional e Tecnológica (EPT) especialmente após as reformas educacionais implementadas no Brasil na última década. Nesse cenário o presente artigo tem como objetivo analisar em que medida a organização curricular e pedagógica do EMI – Técnico em Administração ofertado pelo Colégio Estadual de Itapuranga (GO) aproxima-se ou se distancia da concepção de formação omnilateral defendida no campo da EPT. A pesquisa fundamenta-se em uma abordagem qualitativa adotando como estratégia metodológica o estudo de caso. Para a produção dos dados foram utilizados procedimentos de análise documental, aplicação de questionários e realização de entrevistas com docentes da instituição investigada. Os resultados evidenciam a hegemonia de princípios associados à gestão empresarial na elaboração e implementação do projeto de EMI ofertado pela rede estadual de Goiás. Essa hegemonia manifesta-se na organização curricular no controle e monitoramento do planejamento pedagógico no aumento da carga horária docente na otimização dos gastos por meio de investimentos pontuais em infraestrutura e na insuficiente formação dos professores para compreender e atuar no EMI. Como reflexão geral analisa-se como a pedagogia das competências orientada prioritariamente para a qualificação da força de trabalho voltada ao mercado de trabalho. Tal orientação distancia-se da perspectiva de formação omnilateral e da concepção de escola unitária defendida por Antonio Gramsci além de limitar a construção de uma formação humana integral. Assim verifica-se de forma prospectiva que a proposta formativa analisada tende ao esvaziamento de valores humanistas e à supervalorização da cultura tecnológica com o objetivo de qualificar mão de obra para o mercado. Observa-se regressão a marcos normativos como a Lei nº 5.692 e o Decreto nº 2.208 que reforçaram a lógica de uma escola dualista no sistema educacional brasileiro contemporâneo ainda atual.Downloads
References
Almeida, G. C. F. (2023). Esvaziamento da Formação do Trabalhador: Espírito Empresarial na Educação Profissional a Distância. Fragmentos de Cultura Revista Interdisciplinar de Ciências Humanas. v. 34, nº 2, p. 204 – 2015.
Alves, M. F., Oliveira, V. A. (2022). O ‘Novo’ Ensino Médio: embuste de uma reforma participativa em Goiás. Revista Retratos da Escola, v. 16, nº 34, p.89 – 109.
Beane, J. A. (2003). Integração Curricular: a essência de uma escola democrática. Currículo sem Fronteiras, v. 3, nº 2, p.91 -110.
Brasil. Ministério da Educação. (2025). Novos Caminhos. https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/ept/novos-caminhos
Caiado, R. (2018). Um plano de governo para mudar Goiás: Proposta para o diálogo. https://estaticog1.globo.com/2018/11/promessas/Goias_Caiado.pdf
CEITA – Colégio Estadual de Itapuranga. (2023). Relatório de modulação. Documento interno da instituição.
Ciavatta, M. (2013). O Trabalho Docente e a Produtividade: recuperando marco fundadores. Revista do Centro de Educação, v. 38, nº 3, p. 495 – 505.
Ciavatta, M. (2014). O Ensino Integrado, A Politecnia E A Educação Omnilateral. Por Que Lutamos? Trabalho e Educação, v. 23, nº 1, p. 187 – 205.
Ciavatta, M. Ramos, M. (2011). Ensino Médio e Educação Profissional no Brasil: dualidade e fragmentação. Revista Retratos da Escola, v. 5, nº 8, p. 27 – 41.
Cunha, L. A. (2014). Ensino Profissional: o grande fracasso da ditadura. Cadernos de Pesquisa, v. 44, nº 154, p. 912 – 933.
Decreto nº 2.208 de 1997. Regulamenta o §2º do art. 36 e os arts. 39 a 42 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 17 de abril de 1997. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d2208.htm
Decreto nº 5.154 de 2004. Regulamenta o § 2º do art. 36 e os arts. 39 a 41 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e dá outras providências. 23 de julho de 2004. Presidência da República.
Entrevistas com docentes do Ensino Médio Integrado (EMI) – Técnico em Administração do Colégio Estadual de Itapuranga. (2025). Itapuranga, GO. Entrevistas concedidas ao pesquisador.
Fernandes, F. (2006). A Revolução Burguesa no Brasil: ensaio de interpretação sociológica. 5ª ed. São Paulo: Globo.
Ferreira, A. B. de H. (2021). Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 5. ed. Curitiba: Positivo.
Frigotto, G. (2015). A Produtividade da Escola Improdutiva 30 Anos Depois: Regressão Social e Hegemonia às Avessas. Trabalho Necessário, v. 13, nº 20.
Gatti, B. A. (2021). Formação de Professores no Brasil: Políticas e Programas. Revista Paradigma, v. XLII, nº 2, 2021.
Gomes, J. M. (2014). Religião, educação e hegemonia nos Quaderni del Carcere de Antonio Gramsci. Maringá: Eduem.
Gonçalves, S. da R. V. (2017). Interesses Mercadológicos e o “Novo” ensino médio. Revista Retratos da Escola, v. 11, nº 20, p. 131 – 145.
Gramsci, A. (2004). Cadernos do cárcere. Trad. Luiz Sergio Henriques e Marco Aurelio Nogueira. 3 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
Gramsci, A. (2015). Caderno 22 (1934) Americanismo e Fordismo. In: TEMAS DE CULTURA. AÇÃO CATÓLICA. AMERICANISMO E FORDISMO. Trad. Luiz Sergio Henriques. 4ª ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasiliense.
Lei complementar nº 162 de 2021. Altera a Lei Complementar nº 26, de 28 de dezembro de 1998, que estabelece as diretrizes e as bases do Sistema Educativo do Estado de Goiás. 30 de março de 2021. Governo do Estado de Goiás.
Lei nº 10.882 de 2022. Dispõe sobre a alteração da jornada de trabalho dos professores da rede estadual de ensino. 8 de dezembro de 2022. Assembleia Legislativa do Estado de Goiás.
Lei nº 13.415 de 2017. Altera as Leis nº 9.394/1996 e nº 11.494/2007 e institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. 16 de fevereiro de 2017. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13415.htm
Lei nº 5.692 de 1971. Fixa diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus, e dá outras providências. 11 de agosto de 1971. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5692.htm
Manacorda, M. A. (2019). A Organização da Escola e da Cultura In: Princípio Educativo em Gramsci: Americanismo e Conformismo. 3ª ed. Campinas: Editora Alínea.
Marques, L. R. (2020). Repercussões da Nova Gestão Pública na Gestão da Educação: um estudo da rede estadual de Goiás. Educar em Revista, v. 36.
Meireles, C. de S. F. (2024). O Ensino Médio Integrado: concepções, práticas pedagógicas e omnilateralidade. [Dissertação de mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica]. Instituto Federal Goiano, Campus Ceres.
Motta, V. C. Frigotto, G. (2017). Por que a Urgência da Reforma do Ensino Médio? Medida Provisória Nº 746/2016 (Lei Nº 13.415/2017). Educação e Sociedade, v. 38, nº 139, p. 355 – 372.
Nosella, P. (2015). Ensino Médio Unitário ou Multiforme? Revista Brasileira de Educação, v. 20, nº 60.
Oliveira, A. G. Alves, J. M. S. (2026). Mercantilizando a Educação Financeira: uma perspectiva histórica dos documentos oficiais. Paradigma, v. XLVII.
Oliveira, R. (2023). Ensino Médio Integrado: desafios para os que lutam por uma escola emancipatória. Revista Brasileira de Educação Profissional e Tecnológica, v. 1, nº 23.
Parecer SGG/COCEP–CEE nº 110 de 2023. Credenciamento e autorização do Ensino Médio com itinerário formativo em Técnico em Administração do Colégio Estadual de Itapuranga. 2023. Conselho Estadual de Educação de Goiás.
Pelissari, L. B. (2023). A Reforma da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil: 2016 a 2021. Educação em Revista, v. 39.
Ramos, M. (2007). Reforma da Educação Profissional: Contradições na Disputa por Hegemonia no Regime de Acumulação Flexível. Trabalho, Educação e Saúde, v. 5, nº 3, p. 545 – 558.
Ramos, M. N. (2008) Concepções do Ensino Médio Integrado. Texto apresentado em seminário promovido pela Secretária de Educação do Estado do Pará, v. 8, 2008.
Ramos, M. Paranhos, M. (2022). Contrarreforma do ensino médio: dimensão renovada da pedagogia das competências? Revista Retratos da Escola, v. 16, nº 34, p. 71 – 88.
Resolução CEE/CP nº 07 de 2021. Estabelece normas para a oferta do Ensino Médio no âmbito do Sistema Educativo do Estado de Goiás, com vistas à implementação da Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, e aprova o Documento Curricular para Goiás – etapa Ensino Médio. 8 de outubro de 2021. Conselho Estadual de Educação de Goiás.
Resolução CNE/CP nº 1 de 2021. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Profissional e Tecnológica. 5 de janeiro de 2021. Conselho Nacional de Educação / Ministério da Educação.
Rolon, C. E. K. (2023). O Novo Ensino Médio nos Estados do Ceara, de Goiás e do Paraná: Experiências e Desafios. Brasília: IPEA.
Saviani, D. (2008). O Legado Educacional do Regime Militar. Cad. Cedes, v. 28, nº 76, p. 291 – 312.
Saviani, D. (2011). Pedagogia histórico-critica: primeiras aproximações. 11ª ed. Campinas.
SEDUC – Secretaria de Estado da Educação de Goiás. (2020). Plano de curso: Curso técnico em Administração. Documento interno da instituição.
SEDUC – Secretaria de Estado da Educação de Goiás. Superintendência de Ensino Médio. Gerência de Educação Profissional. (2022). Formulário de atualização de informações das unidades escolares que ofertam o 5º itinerário formativo do curso técnico em Administração do Colégio Estadual de Itapuranga. Documento institucional.
Silva, E. J. N. (2025). Finalidades Educativas e Políticas Educacionais em Tempos Neoliberais: Implicações na Formação Docente e na Saúde Mental de Professores da Educação Básica em Goiás. [Dissertação de Mestrado]. Centro Universitário Mais: Mestrado em Educação. Inhumas.
Silva, L. G. A. Teixeira, R. A. G. (2021). A reforma Educacional no Sistema Estadual de Ensino: do enfraquecimento dos princípios democráticos às contradições na gestão dos processos educativos na escola pública em Goiás. Rev. Bras. Polít. Adm. Educ., v. 37, nº 3, p. 1181 – 1198.
Souza, F. A. Flores, M. M. L. (2018). Organização Social de Educação e se Financiamento: A Nova Panaceia para Educação de Goiás? Rev. HISTEDBR On-line, v. 18, nº 03, p. 798 – 825.
Souza, F. C. S. Ensino Médio Integrado: duas décadas de luta por uma educação emancipatória no Brasil (2004 – 2024). Revista Paradigma, v. XLVI, nº 1. 2025.
Downloads
Published
Métricas
Visualizações do artigo: 347 PDF (Português (Brasil)) downloads: 316
How to Cite
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 Weder de Morais Tavares, Mirelle Amaral de São Bernardo

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Deprecated: json_decode(): Passing null to parameter #1 ($json) of type string is deprecated in /home1/revis019/public_html/plugins/generic/citations/CitationsPlugin.inc.php on line 49

English
Español (España)
Français (France)
Português (Brasil)



















































